Na Velocidade da Razão Sem Emoção 13/01/2010
Posted by cleytinho in Vida Devocional.Tags: Adoração, Dízimo, Oração, Romanos 12, Vida Devocional, Vida Espiritual
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A velocidade com que somos obrigados a viver nessa vida louca faz de nós seres autômatos.
No final do ano passado uma mulher esqueceu a filha, um bebezinho, dentro do carro por algumas horas estacionado no sol quente enquanto ela trabalhava. O bebê não resistiu o calor e veio a falecer. Nas reportagens e comentários o senso comum encontrou respostas: ela estava no piloto automático. Deus nos livre de tal tragédia e console aquela família.
Observo que às vezes também ligamos o piloto automático da vida espiritual. Oramos, cantamos, participamos da ceia e dizimamos. Tudo isso no piloto automático. Não conseguimos fazer de tais práticas devocionais um momento de adoração sincera fruto de um coração quebrantado. Esvaziamos o significado de uma espiritualidade sadia. Arrisco até dizer que o significado está vazio porque nós estamos vazios.
Muitas vezes quando nos levantamos dos nossos lugares para ir até o gazofilácio depositar o dizimo, o sentimento é de “dever cumprido” e não de dedicação. A reverência deste momento passa a ser litúrgica, quase ritualística, quando na verdade deveria ser emocionante e sincero. Afinal, não o dinheiro que estamos depositando ali. É mais do que isso. Deus não está de olho na quantidade da sua oferta. Ele está de olho na qualidade da sua oferta. Abel, Abraão, a viúva pobre, a mulher do perfume, todos eles nos ensinam que aquilo que entregamos ao Senhor deve ser feito com alegria e dedicação. Caim, Ananias e Safira, ensinam-nos que não é o valor que apresentamos mas sim a vida que apresentamos. Deveríamos ofertar com o sentimento de que até aquilo que ofertamos não é nosso.
A oração deveria ser um momento emocionante diante do Senhor. Deveríamos estar conscientes de que Deus, no alto de sua grandeza e sabedoria, está nos ouvindo atentamente! Certamente eu ficaria muito emocionado se fosse convidado para conversar com o presidente Lula. Ficaria feliz, empolgado, e talvez até chorasse por estar diante dele. Por que é diferente com a oração? Por que tantas vezes tenho orado como se não tivesse ninguém para me ouvir? Orações de frases prontas, copiadas, repetidas quase como um reza. Expressões vazias e sem sentido prático e pessoal. Uma reverência exagerada que faz com que rebusquemos as palavras na comunicação que deveria ser simples e sincera. As pessoas às vezes dizem na oração coisas que nem sabem o significado!
Comungamos a Ceia do Senhor como robôs. Sem auto-reflexão, sem arrependimento e sem perdão! Onde estão os sorrisos de alegria pela comunhão, as lágrimas pelos relacionamentos restaurados, o semblante de vitória pela ressurreição do Autor e Consumador da nossa fé? Vejo semblantes sisudos, carregados de dor e tristeza pela morte de Jesus. Até os cânticos que se cantam durante a celebração são tristes e de melodias em escalas menores! Onde está a gratidão pela salvação e vida eterna? Onde está a esperança pelo que está por vir?
Quando cantamos, ou ouvimos lindas melodias, nos emocionamos. Fechamos os olhos. Sentimos arrepios. Sentimos vontade de pular. Sentimos vontade de aplaudir. Sentimos a presença de Deus. Achamos que aqui (no louvor) Deus habita, move-se e age. Mas isso não acontece em todas as músicas, em todos os cultos, em todas as igrejas, com todas as pessoas! Talvez seja por isso que desde o final da década de 80 tantos nomes têm surgido e desaparecido no meio chamado gospel. Eles surgem arrebatam muitos atrás de suas músicas inspirativas, mas com o passar do tempo seus ouvintes já não se emocionam mais com suas letras e canções. Talvez porque se emocionam por “sentir” Deus agindo enquanto louvam. Mas a questão não é sentir é crer. Posso não sentir que Deus está agindo, mas creio que Ele levantará a sua poderosa mão e me abençoará. Penso que nossa emoção na adoração deveria vir da alegria de poder louvar ao nosso Criador, Sustentador, Salvador e Senhor. Deveríamos estar emocionados de poder louvar o Senhor adentrando o Santíssimo Lugar, pois Cristo Jesus, o Sumo Sacerdote, rasgou o véu do templo, e hoje temos livre acesso à presença de Deus. Não preciso sentir a presença Dele. Eu creio na promessa Dele de que onde estiverem dois ou três reunidos em seu nome ali Ele está. Eu creio que posso até andar pelo vale da sombra e da morte, isso é sentir a morte de perto, e o meu Pastor estará comigo! Adorar ao Senhor é tão intenso e sublime que deveríamos vibrar de emoção a cada passo que damos, pois de contínuo estamos na excelsa presença do Pai, e devemos fazer tudo para glorificá-lo.
O que fizemos do nosso relacionamento com o Senhor? Onde está aquela paixão arrebatadora pelo Senhor? Onde está a vibração emocionante no nosso relacionamento com Deus? Deixamos que a correria da vida nos esvaziasse. E mesmo o apóstolo Paulo nos advertindo em Romanos 12.2: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento (…)” tomamos a forma vazia e sem sentido do mundo.
É tempo de renovarmos a nossa mente. De voltarmos ao primeiro amor. De alimentar a chama do Espírito em nós. De recuperarmos a emoção do relacionamento com Deus.

Amém.